Em país sério, caso Banco Master derrubaria o governo, diz senador Hamilton Mourão (Republicanos/RS)
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Senador cobra explicações sobre pagamentos a Ricardo Lewandowski enquanto comandava o Ministério da Justiça.
O senador Hamilton Mourão (Republicanos/RS) afirmou que o Brasil vive um processo de “normalização e minimização de absurdos” após o enfraquecimento das políticas anticorrupção, ao comentar as revelações sobre contratos firmados entre o Banco Master e o ex-ministro da Justiça Ricardo Lewandowski.
Segundo Hamilton Mourão (Republicanos/RS), em um país com instituições mais rígidas, o episódio teria potencial para provocar uma grave crise política, “talvez até a queda do governo”.
“O caso do Banco Master, em um país sério, iria causar uma verdadeira hecatombe. Mas aqui, lamentavelmente, vê-se que o banco pagava muita gente do governo, que hoje busca enterrar o assunto”, declarou o senador. Para Hamilton Mourão (Republicanos/RS), princípios constitucionais da administração pública vêm sendo sistematicamente ignorados. “Cadê a impessoalidade? Cadê a publicidade? Cadê a moralidade?”, questionou.
As declarações ocorrem após reportagem do Metrópoles, revelar que Ricardo Lewandowski recebeu cerca de R$ 6,5 milhões do Banco Master, instituição controlada pelo empresário Daniel Vorcaro.

Desse total, aproximadamente R$ 5,25 milhões teriam sido pagos enquanto Ricardo Lewandowski já exercia o cargo de ministro da Justiça no governo do Lula (PT). De acordo com a reportagem, Ricardo Lewandowski foi contratado pelo Banco Master para prestar serviços de “consultoria jurídica e institucional de caráter estratégico”, mediante pagamento mensal de R$ 250 mil.
O contrato foi firmado em 28 de agosto de 2023 e os pagamentos seguiram até setembro de 2025, período no qual ele permaneceu quase dois anos no comando do Ministério da Justiça, pasta à qual a Polícia Federal é subordinada.
Ainda segundo as informações divulgadas, o contrato não teria sido rescindido após a nomeação de Ricardo Lewandowski para o ministério, em Janeiro de 2024. Como consultor, ele participava do Comitê Estratégico do Banco Master, embora, conforme o site, tenha comparecido a apenas duas reuniões.

A reportagem aponta também que a contratação de Ricardo Lewandowski pelo banco ocorreu a pedido do líder do governo no Senado, Jaques Wagner (PT/BA), que teria articulado ainda a contratação do ex-ministro da Fazenda Guido Mantega pela mesma instituição financeira.
Ao assumir o cargo no governo, Ricardo Lewandowski deixou o escritório de advocacia do qual eram sócios seu filho, Enrique Lewandowski, e sua esposa, Yara de Abreu Lewandowski. Para Hamilton Mourão (Republicanos/RS), o caso simboliza um ambiente de tolerância com práticas que, em sua avaliação, deveriam ser rigorosamente apuradas.
“Não se trata apenas de um contrato privado, mas de uma relação que envolve conflito de interesses e atinge diretamente a credibilidade das instituições”, afirmou o senador Hamilton Mourão (Republicanos/RS).

Fonte: Diário do Poder

