
Relator da CPMI do INSS, deputado Alfredo Gaspar (União Brasil/AL) condenou falta de freio governamental a entidades investigadas.
Relator Alfredo Gaspar (União Brasil/AL): “Quantas vezes, Daniel Vorcaro, você botou a República no bolso?”
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Relator da CPMI do INSS questionaria se banqueiro financiou políticos e se buscou proteção ao contratar esposa do ministro do STF.
O relator da CPMI do INSS, deputado Alfredo Gaspar de Mendonça (União Brasil/AL), concluiu que a desistência do banqueiro Daniel Vorcaro de depor à comissão do Congresso Nacional seria uma confissão de culpa. Em vídeo publicado na noite desta sexta (20), o parlamentar disse que perguntaria ao dono do Banco Master suspeito de fraudes financeiras de R$ 12,2 bilhões quantas vezes ele financiou políticos e “botou a República no bolso”.
Ao questionar a quem interessaria o silêncio de Daniel Vorcaro, Alfredo afirmou que questionaria se o banqueiro alvo da Operação Compliance Zero buscou “proteção”, ao contratar por R$ 129 milhões a advogada Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF).
“Eu iria lhe perguntar, Vorcaro, a que título você contratou o escritório da esposa do ministro Alexandre de Moraes por quase 130 milhões de reais. Foi proteção que você estava atrás? Quais serviços foram ofertados? Mostre ao Brasil que esse foi um contrato sem nenhum tipo de mácula. Quantas vezes, Vorcaro, você financiou políticos na nação? Quantas vezes, Vorcaro, você botou essa República no bolso?”, questionou o relator da CPMI Alfredo Gaspar de Mendonça (União Brasil/AL).

A investigação sobre o caso Banco Master ganhou novo capítulo após mensagens extraídas do celular do banqueiro Daniel Vorcaro indicarem que ele teria sido cobrado pela demora em aportes financeiros destinados a um resort ligado ao ministro Dias Toffoli. Segundo relatório da Polícia Federal citado pela imprensa, os repasses autorizados pelo empresário ao empreendimento teriam chegado a cerca de R$ 35 milhões, embora o ministro negue ter recebido valores do banqueiro ou manter relação pessoal com ele.
Fuga após decisão do STF
Daniel Vorcaro recuou de sua suposta decisão de depor à CPMI, após o ministro do STF, André Mendonça, vetar voo particular do banqueiro e tornar facultativa sua ida à oitiva marcada para a segunda-feira (23) na comissão do Congresso que investiga roubos bilionários a aposentados e pensionistas, por meio de descontos associativos. O Banco Master também é investigado por empréstimos consignados vultosos para beneficiários do INSS.
“Você fugiu da CPMI. Você tinha feito um compromisso e, agora, se a acovardou. Eu ia fazer perguntas a você, para o Brasil conhecer a verdade. E o Brasil precisa da verdade. O Brasil precisa ser passado a limpo. E você pode contribuir com isso”, argumentou o relator da CPMI Alfredo Gaspar de Mendonça (União Brasil/AL).

A atuação do ministro Alexandre de Moraes no caso envolvendo o Banco Master reacendeu críticas sobre concentração de poder e possíveis excessos investigativos no Supremo Tribunal Federal, como a sua atuação no inquérito das Fake News. Ao determinar rastreamentos de dados fiscais junto à Receita Federal e diligências com a Polícia Federal para apurar vazamentos envolvendo ministros e familiares, Alexandre de Moraes passou a ser alvo de questionamentos inclusive dentro da própria Corte. Alguns ministros consideram que esse tipo de medida deveria partir da presidência do tribunal e mediante provocação formal da Procuradoria-Geral da República, apontando preocupação com limites institucionais e imparcialidade.
Na quinta-feira (19), o relator da CPMI havia antecipado ao Diário do Poder que suas perguntas no depoimento de Daniel Vorcaro teriam como foco os 251,7 mil empréstimos suspeitos do Banco Master. E reforçou, no vídeo de ontem, que o povo brasileiro mais sofrido, como aposentados e pensionistas querem saber se houve dinheiro desviado deles para comprar membros da República. “O seu silêncio é uma confissão de culpa. Isso é muito grave”, concluiu Alfredo Gaspar de Mendonça (União Brasil/AL).
O Banco Master foi liquidado, em novembro, após o Banco Central identificar as fraudes financeiras e a Polícia Federal prender o Daniel Vorcaro, que hoje cumpre prisão domiciliar com uso de tornozeleira eletrônica.
Veja: Aqui

Fonte: Diário do Poder
