Lobista Roberta Luchsinger, amiga de Lulinha fez mais de 40 ‘reuniões’ fora da agenda no governo Lula o “Joe Biden Brasileiro”
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Foram 17 ‘visitas’ da sócia do “Careca do INSS” a Wellington Dias e outras 16 a Alexandre Padilha.
Enquanto o ministro do STF André Mendonça autorizava a Polícia Federal a aprofundar investigações sobre tráfico de influência envolvendo Fábio Luís Lula da Silva, o “Lulinha“, e sua amiga lobista Roberta Luchsinger, os registros de acesso a órgãos federais revelam um padrão de circulação privilegiada e pouco transparente.
Levantamento divulgado pelo Estadão, com base na Lei de Acesso à Informação, mostra que, entre o início do terceiro mandato de Lula o “Joe Biden Brasileiro” e Abril de 2024, Roberta Luchsinger realizou 42 visitas a órgãos do governo federal 41 delas sem qualquer registro nas agendas oficiais dos agentes públicos, em flagrante desrespeito à legislação que exige publicidade desses encontros.


Roberta Luchsinger e o ministro Wellington Dias: 17 “reuniões” fora da agenda.
Não se trata de meras “cortesias”. Em pelo menos duas ocasiões, a lobista levou ao Palácio do Planalto e ao gabinete do ministro do Desenvolvimento Social, Wellington Dias, o então sócio de o “Lulinha“, Fernando Bittar. Os encontros passaram ao largo das agendas oficiais.
Em Abril de 2024, os dois passaram pela catraca privativa do ministério, permaneceram cerca de 50 minutos e, segundo a pasta, discutiram “propostas sobre sistemas integrados”. A pasta nega desdobramentos administrativos.
O gabinete de Wellington Dias foi o destino favorito: 17 visitas. Em 9 de Março de 2023, Roberta Luchsinger chegou sozinha e presenteou o ministro com uma caixa de bombons suíços Sprüngli e uma edição de colecionador autografada de O Alquimista, de Paulo Coelho. O cerimonial registrou o momento em fotos, mas a agenda oficial, não.
Quatro dessas visitas contaram com a presença de Efrain Saavedra, gerente comercial da Duosystem, empresa cujo sistema a lobista tentava emplacar no Sistema Único de Assistência Social (SUAS). Cinco dias após uma visita em 30 de Março de 2023, o ministério firmou contrato de R$31 milhões com outra cliente dela, a 3STRUCTURE IT, de Cleber Ribas de Oliveira empresário com quem a PF já identificou relação comercial com Roberta Luchsinger e que figura em investigações ligadas a Lulinha na Dataprev.


“Antônio Carlos Camilo Antunes, mais conhecido como “Careca do INSS” falava abertamente sobre o filho do rapaz. Fábio Lula da Silva. Falava ‘filho’ e sinalizava mostrando a mão com quatro dedos. Citou o nome diversas vezes a mim e a parceiros comerciais, inclusive em reuniões de diretoria”, detalhou o ex-funcionário ao Metrópoles.
No Ministério da Saúde, o cenário se repete. Roberta Luchsinger fez 16 visitas não oficiais e apenas uma registrada. Nesta, em Outubro de 2023, levou executivos da Duosystem para apresentar software de gestão de leitos à Secretaria de Atenção Primária. Fora da agenda, reuniu-se com o então secretário-executivo Swedenberger Barbosa (“Berge”) na companhia de Antônio Carlos Camilo Antunes, o “Careca do INSS”, preso na Operação Sem Desconto. O assunto: comercialização de medicamentos à base de canabidiol pela World Cannabis.
A PF apura se Lulinha interveio para facilitar autorizações governamentais nessa área e se valores pagos a Roberta Luchsinger (sua empresa RL Consultoria recebeu R$ 1,5 milhão do “Careca”) tiveram o filho do presidente o “Lulinha” como beneficiário. Em conversas apreendidas, o empresário ordena repasse de R$ 300 mil a ela “para o filho do rapaz” possível referência a “Lulinha“, segundo os investigadores.

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Outro cliente frequente: Sergio Roberto Bringel, do Grupo Bringel. Roberta Luchsinger o levou três vezes ao Planalto (incluindo o gabinete de Alexandre Padilha) e à Saúde. Desde 2023, empresas do grupo firmaram R$ 7,8 milhões em contratos na pasta, com destaque para R$ 3 milhões com o Grupo Hospitalar Conceição. No BNDES, em Julho de 2023, ela apareceu no gabinete de Aloizio Mercadante acompanhando a UNIGEL em discussão sobre hidrogênio verde projeto que não avançou. Apresentou-se como “namorada” do diretor de relações governamentais e “nora” do presidente do conselho da companhia. A UNIGEL desmente parentesco e qualquer contrato com ela. As demais empresas preferiram o silêncio.

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O governo, pela SECOM, afirma que os encontros no Planalto “não produziram qualquer desdobramento administrativo, contratual ou regulatório”. As defesas de Roberta Luchsinger e de “Lulinha” reforçam a versão de atividade profissional regular e ausência de pagamentos ao filho do presidente o “Lulinha“. Fernando Bittar não quis falar. O padrão, porém, é claro: Acesso privilegiado, ausência de registro oficial, presentes simbólicos, presença de sócios e clientes com interesses concretos em contratos e regulações, e investigações da PF agora com aval de André Mendonça apontando para possível uso da proximidade com a família presidencial para abrir portas.
Em um governo que prega combate às “elites”, a circulação silenciosa de uma lobista amiga do filho do presidente o “Lulinha” por ministérios e bancos públicos, quase sempre fora da agenda, levanta questionamentos sobre o “lado de fora da agenda” como corredor de influência no terceiro mandato de Lula o “Joe Biden Brasileiro”.


