Ingrid Pikinskeni Morais Santos foi autorizada pelo STF a ficar calada, mas falou um pouco e passou mal.

CPMI aponta mulher de R$ 156 milhões roubados dos inativo, ela culpou o marido preso

Publicado em: 25/02/2026 00:074 Min. de Leitura

Compartilhar

Ingrid Pikinskeni Morais Santos foi autorizada pelo STF a ficar calada, mas falou um pouco e passou mal.

O relator da CPMI do INSS, deputado Alfredo Gaspar (União Brasil/AL), disse que empresas ligadas a Ingrid Pikinskeni Morais Santos receberam mais de R$ 156 milhões desviados de aposentados e pensionistas. Ela prestou depoimento à comissão parlamentar mista de inquérito na segunda-feira (23).

  • No meu tempo de menino, tinha a série televisiva, ‘O Homem de Seis Milhões de Dólares. Olha que bacana, a senhora é uma mulher de R$ 156 milhões, roubados de aposentados e pensionistas. Essa moça aqui recebeu milhões através das empresas dela, de aposentados e pensionistas, dinheiro roubado, dinheiro roubado. E está dizendo a nós aqui que foi o esposo dela quem pegou a documentação e fazia a movimentação, que ela inclusive está surpresa e que ele quebrou a confiança dela. A senhora se separou dele? questionou o relator Alfredo Gaspar (União Brasil/AL).

Ingrid foi identificada como destinatária de recursos ilícitos oriundos da Confederação Nacional dos Agricultores Familiares (CONAFER), segundo informou a Agência Senado. Ela é esposa e sócia de Cícero Marcelino de Souza Santos, que está preso. Ele é apontado como operador do presidente da entidade, Carlos Roberto Ferreira Lopes, que está foragido.

Ingrid compareceu à CPMI protegida por habeas corpus concedido pelo ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal (STF), para permanecer em silêncio. Embora tenha admitido a direção das empresas, ela disse que não teve conhecimento de fraudes e desvios e que tudo corria por conta de Cícero”.

A empresária afirmou ao relator que Cícero Marcelino de Souza Santos traiu a sua confiança e que se dedicava exclusivamente à criação dos filhos do casal desde 2015.

  • Em relação às empresas e transferências, eu não vou conseguir responder nada a vocês porque quem geria tudo isso era o meu esposo, que inclusive traiu a minha confiança quando a Polícia Federal bateu na minha porta acordando meus filhos, constrangendo a minha família. Para mim, tudo isso aqui é uma surpresa. Estar aqui para mim está sendo muito difícil, porque eu nunca imaginei passar por uma situação dessa. Em relação a nome de empresas, quanto recebeu, quanto deixou de receber, era tudo Cícero que fazia essa parte de gestão operacional, afirmou.

“Roubar com legalidade”

Ao comentar as falas da empresária, Alfredo Gaspar (União Brasil/AL) disse que o Brasil é um espetáculo e que a burocracia “foi feita para roubar com legalidade”. O relator apontou um esquema complexo de lavagem de dinheiro e pagamento de propina e disse que todas as empresas de Ingrid e do esposo “estão exatamente na teia de pagamento de propina”.

  • A moça não sabe de nada, e pode não saber mesmo, mas o dinheiro das empresas, que saíram de R$ 850 milhões e que se transformaram em R$ 154 milhões, pagou propina a uma parte dos funcionários do INSS de topo de carreira, esposa de um, filha de outra. A linha de pagamento de propina passa por Ingrid, disse.

Depoimento suspenso

Em meio ao depoimento, Ingrid Pikinskeni Morais Santos passou mal, e a sessão foi suspensa. A reunião foi retomada minutos depois, mas sem a presença da depoente. Alfredo Gaspar lamentou o estado de saúde de Ingrid Pikinskeni Morais Santos, mas registrou que em nenhum momento extrapolou na condução do depoimento. O relator disse ainda que não tinha como “pintar de rosa o que está bem escrito em letras que envergonham o Brasil”.

  • De lágrimas a gente nunca pode duvidar da sinceridade, mas o crime praticado também foi muito grave. O nosso objetivo maior, independentemente de quem seja, tem que responder por esse desvio bilionário que matou, fez sofrer e penalizou milhões de aposentados e pensionistas, afirmou.

Presidente da Comissão de Direitos Humanos (CDH), a senadora Damares Alves (Republicanos/DF) salientou que a CPMI tem mostrado que os operadores do escândalo do INSS têm exposto suas famílias. Ela disse que visitou Ingrid no serviço médico do Senado e encontrou a depoente chorando e olhando a foto dos filhos.

  • Os bandidos colocaram famílias em risco. (…) Não sei até onde há envolvimento dela, ou culpa, ou conivência.

Damares Alves (Republicanos/DF) destacou a importância da quebra de sigilo de Daniel Vorcaro e disse esperar que a CPMI possa ter acesso aos dados sem demora.

  • Talvez tenha sido até importante e providencial que Daniel Vorcaro não tenha vindo hoje para a gente ler tudo, para, na hora de a gente arguir, a gente ter umas perguntas bem certeiras.

Fonte: Diário do Poder