Daniel Vorcaro, do Banco Master. Ex de Aécio Neves e ex-repórter do Faustão: Quem é Martha Graeff, namorada do banqueiro Daniel Vorcaro, preso pela PF.

Daniel Vorcaro, do Banco Master diz que Will Bank seria comprado por fundo árabe

Publicado em: 01/02/2026 00:115,5 Min. de Leitura

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Negócio com seria fechado no dia da liquidação do Master, diz banqueiro.

Em depoimento prestado ao Supremo Tribunal Federal (STF), o criador do Banco Master, Daniel Vorcaro, declarou que a alienação do Will Bank estava programada para ser oficializada em 18 de Novembro de 2025. Segundo o executivo, o Grupo Mubadala Capital, sediado em Abu Dhabi, estava prestes a firmar o contrato de aquisição justamente no período matutino em que o Banco Central (BC) decretou a intervenção no Banco Master.

Durante uma acareação conduzida em dezembro, Daniel Vorcaro pontuou que a deflagração da Operação Compliance Zero pela Polícia Federal foi o fator determinante para a interrupção das tratativas. O banqueiro defende que a capitalização por meio de investidores internacionais teria sido a solução para os problemas de fluxo de caixa das empresas.

Ex de Aécio Neves e ex-repórter do Faustão: Quem é Martha Graeff, namorada do banqueiro Daniel Vorcaro, preso pela Polícia Federal. A influenciadora Martha Graeff viajava à Europa em um Jato Gulfstream G700, estimado em R$ 400 milhões, quando, já sobre o Atlântico, a aeronave alterou a rota e regressou ao Brasil após a prisão de seu namorado, Daniel Vorcaro.

Em suas palavras:

“O contrato estava pronto. Seria um desfecho de final feliz para o sistema financeiro, que foi infelizmente interrompido pela operação”.

Apesar das expectativas do fundador, o Will Bank, que possuía uma base de 12 milhões de usuários e registrou movimentação de R$ 7,5 bilhões no último ano, teve sua liquidação extrajudicial decretada em 21 de Janeiro. O encerramento das atividades ocorreu pouco tempo depois que o embate judicial e as ações policiais inviabilizaram a continuidade dos negócios do conglomerado.

O relato de Daniel Vorcaro tornou-se público na noite de quinta-feira, 29, após o ministro Dias Toffoli remover o sigilo sobre as oitivas que investigam o colapso do grupo financeiro. O material inclui ainda declarações de Ailton Aquino, diretor do BC, e de Paulo Henrique Costa, ex-gestor do BRB.

Daniel Vorcaro era o controlador do Banco Master, liquidado pelo Banco Central.

Além de justificar a venda frustrada da fintech, o empresário contestou as suspeitas de ilícitos no setor de crédito. Daniel Vorcaro assegurou a legitimidade dos títulos emitidos pela companhia Tirreno e afirmou que não possuía atribuições técnicas para acompanhar as rotinas operacionais da empresa na época dos acontecimentos.

Atualmente, a Polícia Federal mantém as investigações para confirmar se o grupo forjou créditos sem garantias reais para ludibriar investidores e inflar balanços patrimoniais. O inquérito tramita sob a égide do STF devido ao envolvimento de autoridades com foro especial.

Sede do Banco Master

Banco Master tinha só R$ 4 milhões ao ser liquidado. Banco Central apontou crise extrema de liquidez e atraso bilionário em depósitos compulsórios.

No momento em que o Banco Central (BC) decretou sua liquidação em novembro, o Banco Master apresentava uma disponibilidade de caixa de meros R$ 4 milhões. O valor era drasticamente insuficiente para cobrir os R$ 127 milhões em obrigações que venceriam naquela mesma semana, configurando um estado de insolvência prática.

As informações, apuradas pelo Jornal O Estado de São Paulo, constam em depoimentos prestados à Polícia Federal no dia 30 de dezembro, recentemente tornados públicos após o ministro Dias Toffoli, do STF, levantar o sigilo do caso.

Ailton Aquino, diretor de Fiscalização do BC, detalhou que a instituição, que detinha cerca de R$ 80 bilhões em ativos, sofria um “estrangulamento financeiro” severo. Além da falta de recursos imediatos, o banco acumulava uma dívida de aproximadamente R$ 2 bilhões em depósitos compulsórios não recolhidos.

Aquino ilustrou a gravidade da situação comparando o Banco Master a instituições de porte similar: “Um banco de R$ 80 bilhões normalmente tem R$ 3 bilhões ou R$ 4 bilhões em títulos livres, e o Banco Master, antes da liquidação, tinha apenas R$ 4 milhões em caixa”.

O efeito cascata da crise atingiu diretamente o Banco de Brasília (BRB). Segundo o diretor do BC, o prejuízo da estatal com a compra de ativos do Banco Master pode ser superior a R$ 5 bilhões. O BRB chegou a desembolsar R$ 12,2 bilhões por carteiras de crédito que se revelaram falsas. Embora tenha ocorrido uma substituição de R$ 10 bilhões por outros ativos, estes novos papéis também apresentam inconsistências e podem gerar perdas adicionais.

Sede do Banco Master

A crise também alcançou o Will Bank, braço digital do grupo. Embora o BC tenha tentado preservar a fintech inicialmente via Regime de Administração Especial Temporária (RAET) para viabilizar uma venda, a operação não prosperou. A liquidação do Will Bank ocorreu no último dia 21.

Diretor de Fiscalização do BC, Ailton de Aquino Santos.

Diretor de Fiscalização do BC, Ailton de Aquino Santos.

Ailton de Aquino Santos explicou que a decisão de adiar o fechamento da unidade digital levou em conta o perfil dos correntistas: “Há muitos ativos do Will Bank dentro do balanço do BRB. A morte do Will Bank se não for possível resolver a situação no âmbito do RAET implicará um prejuízo maior para o BRB”. Ele acrescentou que o receio era de que clientes das classes C e D interrompessem o pagamento de faturas de cartões em caso de fechamento abrupto. Questionado pela Polícia Federal sobre possíveis influências externas nas decisões técnicas, Ailton de Aquino Santos assegurou que o processo de supervisão seguiu os ritos normais.

“Que eu tenha conhecimento, como diretor de Fiscalização, não recebi nenhuma pressão de autoridades da República para liquidar ou não liquidar o banco”, declarou Ailton de Aquino Santos.

O diretor também esclareceu que as medidas restritivas impostas ao BRB, como o veto à compra de novas carteiras de crédito em outubro, não tiveram como foco impedir especificamente a fusão com o Banco Master, uma vez que tal operação já havia sido oficialmente negada pelo órgão regulador em Setembro.

Fonte: Diário do Poder