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16/08/2022
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‘Fomos eleitos como cidadãos, não representando as Forças Armadas’, diz Mourão

Por Guilherme Freitas

Em entrevista á GlonoNews e ao portal G1 nesta 2ª feira (12), o general Hamilton Mourão (PRTB), vice-presidente eleito, afirmou que tanto ele quanto o presidente Jair Bolsonaro (PSL), que assumirá o Planalto em 1º de janeiro de 2019, foram eleitos como cidadãos e não representando as Forças Armadas.

“Nós não representamos a instituição Forças Armadas, nós representamos aquele grupo de cidadãos, de eleitores, que optaram por nosso projeto”, disse o vice de Bolsonaro.

O comentário foi feito em concordância com a fala do general do Exército Eduardo Villas Bôas que, ao ser entrevistado pelo jornal Folha de S.Paulo, disse que a eleição de Bolsonaro não significa volta dos militares ao poder, mas há o risco da politização nos quartéis.

Jair Messias Bolsonaro e Hamilton Mourão
Jair Messias Bolsonaro e Hamilton Mourão

No Brasil, é a primeira vez desde 1985 que um militar não ocupava o Planalto, e a última vez em que um representante das forças armadas havia sido eleito pelo voto direto para o cargo de Presidente foi em 1945, com a eleição do ex-Presidente Eurico Gaspar Dutra.

Mourão porém negou a possibilidade de haver uma polarização nos quartéis. Segundo ele, o ex-presidente Castello Branco implantou uma prática de afastar os militares que entraram para a política dos quartéis e disse que a prática é positiva.

“Antes disso, o militar se candidatava e era eleito, se perdesse o cargo, voltava para o quartel. Ele já tinha sido deputado, senador, mas voltava para dentro do quartel. E não tinha como: traria a política no DNA dele quando voltasse. Agora não. O militar que é eleito passa automaticamente pra reserva e deixa de retornar pra força”, afirmou.

Mourão também avaliou como “pacífica” transição do regime de 1964. “Em todas as transições que ocorreram na nossa República, a única pacífica foi do regime de 1964. Todas as outras foi uma ruptura. O Figueiredo governou sem nenhum instrumento de exceção. Foram 6 anos de governo”, disse ao se referir ao último presidente da ditadura militar brasileira, João Figueiredo, que governou de 1979 a 1985.

Eis outros comentários do vice-presidente eleito na entrevista:

Poder:

“Não gosto de falar do poder pelo poder. Poder tem que ser utilizado de forma coerente, correta, em prol das pessoas que te elegeram. Para um comandante, como eu fui, você tem que ter a justiça e dar o exemplo. [Ser justo] não é fácil. Não podemos nos afastar da realidade. Não quero deixar de ir a supermercado, não quero deixar de jogar vôlei na praia, não quero deixar de tomar chope com meus amigos. Para ouvir realmente o que está acontecendo.”

Vice-Presidência:

“Bolsonaro e eu temos relacionamento de olho no olho. Nos respeitamos mutuamente. Vai competir a mim saber ocupar espaço sem fazer nenhuma sombra para a atividade dele. Muito pelo contrário. Vejo muito como 1 subcomandante dentro de uma unidade militar. É aquele que procura fazer as contemporizações, procura chamar determinadas lutas para si, preservar o comandante. Eu tenho dito que vou procurar ser o escudo e a espada do Bolsonaro.”

Jair Messias Bolsonaro e Hamilton Mourão
Jair Messias Bolsonaro e Hamilton Mourão

Jair Bolsonaro:

“Bolsonaro é um homem coerente. Sempre foi. Ele entrou na política já faz 30 anos, 1º como vereador aqui no Rio de Janeiro e depois deputado sucessivamente eleito pelo nosso Estado, o Rio de Janeiro. Acho que ele entendeu há uns 3, 4 anos o significado da imagem dele, trabalhou junto ao público e obteve essa vitória.”

Pávio Curto:

“Já fui quando era mais jovem. Agora, aos 65 anos de idade, respiro 3 vezes antes de fazer qualquer coisa. Minha fama de linha dura foi dada por pessoas que nunca sentaram para conversar comigo e fazer uma entrevista como você está fazendo agora. Tenho uma visão clara sobre nosso país, sobre o combate à criminalidade, tenho uma visão clara que não podemos tergiversar com corrupção, incompetência, ineficiência. Se isso é ser linha dura, então eu sou.”

Legislativo:

“Não resta dúvida que nós teremos que ter 1 diálogo constante no Congresso. É uma pergunta recorrente. Temos que nos aproximar das forças políticas que estarão representadas ali dentro. Agora, o Congresso atual está terminando seu mandato. No caso da Câmara, a metade não foi reeleita. Senado, 1 outro tento. É 1 momento difícil para buscarmos interlocutores.”

Pautas-Bomba:

“É a tarefa que está com o deputado Onyx Lorenzoni. Ele está com uma série de atribuições, está montando um governo de transição e  exerce essa função. Vamos ver o que pode ter ocorrido desmarcou reuniões. O presidente Bolsonaro passou 28 anos no Congresso, ele conhece as turmas daquela Casa.”

Baixo clero:

“Ele Bolsonaro sabe dialogar com esse pessoal. Como ele me contou outro dia, ele sempre ficava conversando com um grupinho aqui, outro grupinho acolá, e ia se fazendo presente.”

Sérgio Moro:

“Tenho dito o seguinte. No meio militar, diz que empresta dignidade à guerra. O ministro Moro empresta dignidade ao nosso governo. É um grande desafio para ele, mas terá os instrumentos para isso. Não só a Polícia Federal, mas a partir do momento que o Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras) estiver subordinado ao Ministério da Justiça, as investigações ficarão muito mais interligadas.”

Jair Messias Bolsonaro e Hamilton Mourão
Jair Messias Bolsonaro e Hamilton Mourão

Máquina pública:

“Vai depender muito da escolha do secretário-executivo, que é o cara que toca efetivamente o ministério. Nós temos problemas sérios na nossa máquina pública, deficiências de licitações, atrasos no gasto do recurso, aí favorece a corrupção com esse atraso. Vai ter que melhorar muito isso aí.”

Ordem:

“O general Marshall já dizia que o tempo do comandante é 10% emitindo ordens e 90% fiscalizando. Tem que fiscalizar, isso é em todo lugar. Raras são as pessoas que caminham pelas próprias pernas. Temos um ditado no Exército, o general Osório dizia que é fácil a missão de comandar homens livres, mas nós acrescentamos ‘e apresentar o regulamento disciplinar’.”

Política e Família:

“Os filhos do presidente são homens de bem. Eu vejo que eles se lançaram na política, óbvio que com apoio do pai, mas são gente de bons costumes, de boa moral. Flávio eleito senador, o Eduardo eleito deputado federal, o Carlos vereador aqui pelo Rio de Janeiro. Eles são ligados ao pai, é uma coisa maravilhosa. Os que estão no Congresso, estão no Congresso. Obviamente que serão linha auxiliar do pai, vão auxiliar o pai em tudo. O Carlos vai continuar exercendo o cargo de vereador.”

Petrobras:

“Tive encontro na última 6ª feira (9 nov) com a atual diretoria da Petrobras. Eles me apresentaram todo o trabalho que vieram fazendo, de saneamento da empresa. Achei extremamente positivo. A empresa entrando numa esfera de lucratividade, o que é importante não só pros acionistas privados, mas pro próprio governo. Vejo a Petrobras como algo de extrema relevância no nosso Brasil.”

Jair Messias Bolsonaro e Hamilton Mourão

Amazônia:

“Eu acho que poderíamos ter um carinho um pouco maior com a Amazônia, com estratégia de desenvolvimento sustentável, com intuito de haver uma preservação competente daquela floresta. É óbvio que tem uma área enorme intocada. O arco da proteção da agricultura está muito bem delimitado, mas a gente tem que ter uma estratégia melhor não só para guarnecer nossas fronteiras, que tá tudo na mão do Exército. As outras agências governamentais têm que se fazer presentes.”

100 anos da 1ª Guerra Mundial:

“O flagelo da guerra infelizmente existe, por isso que existem Forças Armadas em diferentes países, que ao longo do tempo foram se profissionalizando. De mercenários viraram profissionais, cidadãos do Exército, como é característico daqui, da nossa Força, aqui no Brasil. A gente nunca sabe quando pode a ameaça se tornar realidade. Elas existem, estão aí. Temos terrorismo, narcotráfico, contrabando, é uma guerra travada no mundo inteiro.”

Drogas:

“Eu vejo que se discute a liberação das drogas. Onde foi liberada os problemas continuam acontecendo, isso é um comércio, infelizmente, e aqui no Brasil é disputado por facções armadas. E muito bem armadas.”

Relações internacionais:

“Nós, militares, temos em geral essa simbiose muito grande com a questão das relações internacionais porque ultimamente se vai travar algum conflito vai travar com outro país, apesar de hoje os conflitos serem de apoios estatais e não estatais. Tem que conhecer a história, dialogar pessoas, conhecer a cultura.”

Relações exteriores:

“Estamos buscando nome que seja coerente. Bolsonaro tem sinalizado que quer um nome dos próprios quadros do Itamaraty, mas também poderá ser alguém, como o atual ministro de Relações Exteriores, Tem que ser alguém que compreenda o mundo que nós estamos vivendo. O mundo do século 21. O mundo onde disrupturas irão ocorrer. O mundo da associação da inteligência artificial com a biotecnologia. Tem que ser alguém que tenha essa visão. Não fique com os olhos presos no passado. Essa eleição é a prova cabal da mudança.”

Brasil:

“Vejo que o Brasil tem um corte estratégico extremamente significativo. Nós temos essa quantidade enorme de terra, uma população de mais de 200 milhões de habitantes, um continente, uma população coesa, com riquezas naturais, uma agricultura fortíssima, muita gente empreendedora. Agora, temos dificuldade em transformar isso em poder. Essa é nossa grande missão: fazer o Brasil romper essas amarras, que tem nos colocado em uma posição subalterna, e colocar no patamar que todos os brasileiros desejam.”

Fonte: Republicano

Redaçãohttps://bloginformandoedetonando.com.br/
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