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17/06/2024
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Recém-empossado, Jorge Kajuru chega para animar a festa no Senado

Por Natália Portinari

Já havia se passado quase uma hora da primeira sessão do Senado Federal, na sexta-feira 1º de fevereiro, sem definição do que seria votado, quando o senador Jorge Kajuru (PSB/GO) foi ao microfone. Engatou um discurso de nove minutos, citando o jornalista Paulo Francis e Erasmo de Roterdã. Contou que deu uma caneta em Renan Calheiros em um jogo de futebol, em 1994, e que revelou à mãe o fato de o pai ter uma amante. O último causo era um argumento a favor do voto aberto para a eleição a presidente do Senado, objeto da sessão. Os demais senadores se dividiam entre risos, sobrancelhas erguidas em ironia e alguns olhares de impaciência.

A princípio, Kajuru votaria no senador José Antônio Reguffe (sem partido/DF) para presidente do Senado. No sábado, porém, quando a sessão já se arrastava pelo segundo dia, postou em sua rede social “URGENTE, O BRASIL DECIDE AGORA O VOTO DO KAJURU NO SENADO!!!”. Em uma enquete, perguntou se deveria votar em Reguffe, como queria, ou anular. Refez a pesquisa duas vezes até chegar à conclusão de que a população ou, ao menos, a parcela da população que viu sua postagem preferia o voto em Davi Alcolumbre (DEM/AP), posto como opositor de Renan Calheiros. Votou.

Se o conteúdo de seu voto foi objeto de polêmica, sobrou também para a forma. Ao meio-dia de sábado, ameaçou ter um ataque cardíaco caso a votação não fosse realizada em cédulas de papel. “Senhor presidente, senhoras e senhores, eu peço atenção, porque eu pedi a presença de meu médico, doutor Paulo Reis, que está aqui. Se não tiver cédula, eu vou sofrer um infarto. Eu estou falando sério”, afirmou. Foi acalmado pelo presidente da mesa, José Maranhão (MDB/PB): “Tranquilizo V. Excelência, que realmente seria um caso muito grave se V. Excelência tivesse um infarto aqui. Não vai! Vai ter cédula!”.

Em conversa com ÉPOCA em seu gabinete, na terça-feira, Kajuru sabia citar de cor todas as métricas de redes sociais obtidas com o episódio. “Como o brasileiro viu que o Davi era o anti-Renan, ele acabou ganhando disparado, com 77%, 128.615 votos, nas 30 redes sociais que eu tenho”, afirmou. As 30 contas são, por exemplo, kajurufiscal, kajurugoias, kajuruvoltou, realkajuru, tvkajuru, kajuruinterior, kajuruvoluntario, kajurubairros, kajurudoacoes etc. “Eu não teria votado no Davi. Quem votou foi o meu seguidor. Decidi inaugurar uma forma de votação polêmica, deixando o brasileiro escolher.” Ele acumula, hoje, 3,618 milhões de seguidores.

Ostentando uma armação de óculos em que um olho é redondo e o outro é quadrado, Kajuru nega que seja “teatral” ou “folclórico”. “Eu li mais do que eu vivi, eu li Dostoiévski, li Trótski, li Homero, entendeu? Li Machado de Assis. Um cara que leu O capital em três dias é folclórico? Folclórico é um imbecil qualquer.” Apresentador e locutor esportivo por décadas, conta que pediu demissão ao vivo duas vezes, no SBT e na RedeTV!. Em compensação, foi demitido também ao vivo da Band, após criticar o então governador de Minas Gerais, Aécio Neves. “Em 2014, anunciei: ‘Agora estou indo para o campo deles (políticos).’ Já que eles ficam toda hora pedindo minha cabeça.”

Fonte: ÉPOCA

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