Fundador do Ueno Bank, Federico Miguel Vázquez Villasanti construiu império antes de crise no Paraguai
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Miguel Vázquez comandava 28 empresas e levou o banco a 3 milhões de clientes, mas acabou preso após investigação sobre irregularidades financeiras.
Federico Miguel Vázquez Villasanti, conhecido como Miguel Vázquez, é o empresário paraguaio fundador do Ueno Bank, instituição que se tornou uma das principais operações financeiras do país.
Aos 36 anos, ele passou a ocupar o centro de uma crise financeira e política no Paraguai após a intervenção do banco pelo Banco Central e sua prisão, em 3 de Novembro de 2026. Sua trajetória empresarial começou aos 18 anos, quando ingressou na Credicentro, financeira fundada por seu pai, Víctor Hugo Vázquez, em 1984.
Em 2014, Miguel Vázquez assumiu a direção da companhia e iniciou um processo de expansão dos negócios familiares, que posteriormente deram origem a um conglomerado empresarial.

Federico Miguel Vázquez Villasanti
Em 2022, a Credicentro passou a integrar a Ueno Holding, estrutura que chegou a reunir 28 empresas em seis setores, entre eles serviços financeiros, seguros, tecnologia, comunicação e agronegócio.
Miguel Vázquez detinha 75,94% do capital do grupo e concentrava 94,02% dos direitos de voto. A principal aposta do empresário foi o Ueno Bank, que recebeu autorização para operar como banco em 2023.
Com uma estratégia voltada aos serviços digitais, a instituição alcançou aproximadamente 3 milhões de clientes e acumulou cerca de US$ 2,8 bilhões em depósitos, tornando-se um dos principais nomes do sistema financeiro paraguaio.
O crescimento também atraiu investidores estrangeiros. Em Junho de 2026, o banco húngaro OTP Bank adquiriu 10% da holding controladora do Ueno Bank, em uma operação que avaliou o conglomerado em aproximadamente US$ 470 milhões.

Federico Miguel Vázquez Villasanti
O grupo também chegou a empregar cerca de 6 mil pessoas. A expansão, porém, foi interrompida em novembro, quando o Banco Central do Paraguai determinou a intervenção do Ueno Bank.
Entre os problemas identificados estavam a deterioração dos indicadores de solvência e operações de crédito com empresas relacionadas ao próprio conglomerado, incluindo empréstimos que ultrapassaram US$ 146 milhões. As irregularidades deram origem a investigações criminais para apurar possíveis crimes financeiros, como administração fraudulenta e enriquecimento ilícito.
Miguel Vázquez foi preso em 3 de Novembro, enquanto outros integrantes da administração também passaram a ser investigados. As suspeitas ainda dependem de comprovação judicial. O caso provocou repercussões políticas no Paraguai.
Carlos Carvallo, presidente do Banco Central, deixou o cargo em 3 de Novembro, e o presidente paraguaio, Santiago Peña, anunciou sua renúncia dois dias depois, em meio à crise. Enquanto isso, as autoridades trabalham para proteger os depositantes e apurar as responsabilidades pela situação da instituição financeira.

