Sede do Supremo Tribunal Federal (STF)

Jornal apela ‘ao que resta do STF’ para conter colapso moral da Corte

Publicado em: 04/09/2026 00:113,9 Min. de Leitura

Compartilhar

Segundo o Jornal, o relatório da PF mostra Daniel Vorcaro tratando Alexandre de Moraes “como um funcionário regiamente pago”.

O Jornal O Estado de São Paulo publicou na quinta-feira (3) o editorial “Um apelo ao que resta do Supremo”, no qual cobra ação institucional diante dos indícios reunidos pela Polícia Federal sobre a relação entre o ministro Alexandre de Moraes e o banqueiro Daniel Vorcaro, investigado no caso do Banco Master por fraude bilionária.

O texto destaca declaração do presidente da Corte, ministro Edson Fachin, segundo a qual os indícios “reclamam o devido encaminhamento institucional” e o cargo de ministro “não confere privilégios, mas impõe deveres”. Edson Fachin anunciou que tomará medidas “no tempo devido e sem precipitação”. Para o Estadão, o pronunciamento é insuficiente, mas representa um sinal de que ainda resta “vida republicana” no tribunal.

Seu filho, Alexandre Barci de Moraes, Viviane Barci de Moraes sua esposa, Alexandre de Moraes e sua filha Giuliana Barci de Moraes.

O Jornal O Estado de São Paulo defende que o relatório da PF seja levado o quanto antes ao plenário do STF, em sessão pública e presencial. Caso isso ocorra, o editorial faz um apelo direto aos ministros que ainda colocam a instituição acima de interesses pessoais para que manifestem “sem medo seu horror diante do colapso moral que ameaça o STF”. O texto reconhece que a tarefa não será fácil, dada a “conhecida truculência de alguns ministros”, mas afirma que o País precisa saber se ainda há “genuínos e destemidos republicanos na Corte.

O editorial rejeita qualquer novo “arranjo clandestino”, em referência ao que considera ter ocorrido para acomodar a suspeição do ministro Dias Toffoli como primeiro relator do caso Banco Master. Segundo o Jornal O Estado de São Paulo, o relatório da PF documenta que Daniel Vorcaro tratava Alexandre de Moraescomo um funcionário regiamente pago”, cobrando providências que “nem a um advogado se cobra”. O O Estado de São Paulo afirma que as relações entre o investigado pela que descreve como a maior fraude financeira já praticada no País e um ministro do Supremo estão documentadas.

Ainda que a existência de crimes só possa ser definida por investigação técnica e julgamento justo, o Jornal O Estado de São Paulo sustenta que Alexandre de Moraesjá é um estorvo para o STF” e que sua permanência se tornou “o maior problema do Poder Judiciário desde a redemocratização”. A necessidade de afastamento voluntário ou por Impeachment seria, segundo o texto, uma questão moral anterior a qualquer apuração sobre prevaricação, advocacia administrativa, obstrução de justiça ou corrupção passiva.

Empresário Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, mostram cobranças e ordens para pagamentos milionários no valor de R$ 35 milhões ao Resort Tayayá que Dias Toffoli é sócio.

O editorial também menciona a relação de Dias Toffoli com Daniel Vorcaro por meio de investimentos no Resort Tayayá e pede que o plenário autorize investigação sobre a conduta de ambos. Edson Fachin, como presidente, teria o dever de evitar um desfecho em que a Corte proteja um de seus membros por corporativismo. O Jornal O Estado de São Paulo alerta que, se o destino pessoal de Alexandre de Moraes não for desassociado do destino da instituição, o STF “morrerá abraçado a um dos seus”, com consequências imprevisíveis que, no limite, poderiam incluir desobediência civil.

A sobrevivência moral do Supremo como conhecido desde 1988, conclui o texto, depende da capacidade dos ministros de demonstrar à Nação a diferença entre proteger um colega e proteger a instituição.

Empresário Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, mostram cobranças e ordens para pagamentos milionários no valor de R$ 35 milhões ao Resort Tayayá que Dias Toffoli é sócio.

Ministro Dias Toffoli (STF) e Daniel Vorcaro

Fonte: Diário do Poder