
O PT de Lula foi um dos que esbanjaram e torrou R$ 12,2 milhões. Cerca de 10% desse valor foi para o escritório de Cristiano Zanin
Lobista Chiquinho Feitosa que era cunhado de Gilmar Mendes relatou a Daniel Vorcaro jantar com Cristiano Zanin
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Esta semana, o ministro recusou liminar para instalar CPI no Senado.
Mensagens extraídas do celular de Daniel Vorcaro, periciado pela Polícia Federal, mostram o lobista Chiquinho Feitosa relatando a Daniel Vorcaro, em 28 de Maio de 2024, que estava jantando com o então cunhado Gilmar Mendes, Cristiano Zanin, ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), e as respectivas esposas, e que havia tratado de “assuntos de nosso interesse”.



“Querido amigo, estou aqui jantando com Gilmar Mendes, Cristiano Zanin e as esposas. Conversei alguns assuntos de nosso interesse e passei as informações que o Fernando me deu. Se for estar por aqui, me fala!”, escreveu Chiquinho Feitosa às 20h55. Daniel Vorcaro respondeu: “Ótimo, vou estar. Nos vemos amanhã”.
Cristiano Zanin negou qualquer contato. Em nota, afirmou que “nunca teve qualquer relação com Daniel Vorcaro, tampouco com Chiquinho Feitosa”, que “nunca jantou, nunca os recebeu em audiência e nunca conversou com eles sobre qualquer assunto”.




O mesmo ministro, nesta semana, indeferiu o pedido de liminar do senador Alessandro Vieira (MDB/SE) que pretendia obrigar o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, a instalar a CPI do Banco Master. A decisão foi tomada na terça-feira (22). Cristiano Zanin entendeu que, naquele momento, não havia prova inequívoca de omissão inconstitucional da Presidência do Senado e que o requerimento parecia desdobramento de pedido anterior, e não fato novo autônomo. Mesmo assim, manteve o processo em andamento e determinou que Davi Alcolumbre preste informações, com possibilidade de manifestação da AGU e da PGR.
A CPI buscada por Vieira, protocolada em março com 41 assinaturas, pretendia investigar relações de ministros do STF em especial Alexandre de Moraes e Dias Toffoli com Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, liquidado pelo Banco Central e alvo da Operação Compliance Zero.



Procurado, Feitosa disse não se recordar com precisão do jantar e afirmou que, se esteve na presença dos ministros, foi em ocasião social, com outros convidados, e que não tratou de assunto de interesse de Daniel Vorcaro. O gabinete de Gilmar Mendes afirmou que o ministro “não teve conhecimento de qualquer entendimento entre ele e terceiros”, “não foi por ele procurado sobre os assuntos mencionados” e “não responde por relações privadas ou profissionais de ex-parente”. Sobre o jantar específico de 28 de Maio de 2024, o gabinete não confirmou nem negou a realização.
As mensagens indicam que Daniel Vorcaro usava Chiquinho Feitosa como interlocutor junto ao STF em temas de precatórios de interesse do banco. Em 19 de Abril de 2024, Chiquinho Feitosa aconselhou Daniel Vorcaro a “começar uma relação direta” com Gilmar Mendes, dizendo que seria “importante para o futuro”. Dias antes, em 11 de abril, Chiquinho Feitosa encaminhou contato da assessoria de Gilmar Mendes; Daniel Vorcaro se reuniu com o ministro naquele dia. O gabinete de Gilmar Mendes reiterou que o ministro votou contra os interesses ligados aos precatórios do Banco Master.

Ministro Alexandre de Moraes em sessão plenária.

Em 1º de Junho de 2024, Chiquinho Feitosa ainda escreveu a Daniel Vorcaro que estava no aniversário de Camilo Santana, então ministro da Educação, e que Gilmar Mendes também estava no evento, convidando Daniel Vorcaro a ligar. O gabinete de Camilo Santana afirmou que “nunca existiu contato nem nenhuma relação pessoal ou profissional” com Daniel Vorcaro.
Chiquinho Feitosa, ex-deputado federal e ex-suplente de senador, é presidente do Republicanos no Ceará e atua como lobista em Brasília. Relatos anteriores já apontavam contrato de consultoria dele com empresa ligada a Daniel Vorcaro, no valor de R$ 500 mil mensais em determinado período.


