Paulo Gonet é ‘suspeitíssimo’ e não pode opinar sobre investigar Alexandre de Moraes, diz jornal
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Relatório da PF expõe relação do chefe da PGR com ex-banqueiro investigado em fraude bilionária.
Editorial desta sexta-feira (11), o Jornal O Estado de São Paulo, sob título “Paulo Gonet é suspeitíssimo”, afirma que o procurador-geral da República, Paulo Gonet, não pode opinar com legitimidade sobre a eventual abertura de inquérito contra o ministro Alexandre de Moraes no Supremo Tribunal Federal. O texto argumenta que, embora caiba institucionalmente à PGR se manifestar sobre investigação de ministro da Corte, “por razões óbvias” Paulo Gonet tem o dever de se declarar impedido na sessão que analisará o caso.
O editorial parte da premissa de que Alexandre de Moraes é suspeito de ao menos quatro crimes corrupção passiva, advocacia administrativa, tráfico de influência e violação de sigilo funcional por sua associação com o banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master. O Jornal O Estado de São Paulo reitera o contrato milionário de advocacia entre o Banco Master e o escritório da mulher do ministro, Viviane Barci de Moraes, e as mensagens trocadas até poucas horas antes da prisão de Daniel Vorcaro, em 17 de Novembro de 2025.


O ponto central, porém, é a posição do próprio Paulo Gonet. Segundo o Estadão, o procurador-geral também aparece no relatório da Polícia Federal como uma das autoridades que teriam se beneficiado de “mordomias” pagas por Daniel Vorcaro. Mensagens atribuídas a Paulo Gonet, intermediadas pelo advogado Ciro Soares, incluem declarações de “saudades” do banqueiro, pergunta sobre “Whisky Macallan“e charutos em um encontro e pedido para incluir o filho do PGR em uma dessas reuniões.
Para o jornal, essa proximidade torna incontornável o conflito de interesses: Paulo Gonet figura no mesmo relatório que deveria analisar e já pediu o arquivamento sumário da apuração, sem exame do mérito, com argumentos que o editorial compara aos de um advogado de Alexandre de Moraes e de si mesmo.

O texto se insere em uma sequência de críticas do próprio Estadão ao PGR no caso Banco Master. Em editorial anterior, o Jornal O Estado de São Paulo chegou a afirmar que a permanência de Paulo Gonet na PGR se tornara “insustentável” e que ele deveria deixar o cargo para evitar o aprofundamento de uma crise moral no sistema de Justiça.
O caso Banco Master explodiu após a liquidação do banco e a prisão de Daniel Vorcaro. Relatórios da PF revelaram uma teia de relações entre o banqueiro e autoridades, incluindo ministros do STF. O ministro André Mendonça, relator no Supremo, determinou a produção do relatório sobre as mensagens; Paulo Gonet contestou a competência dessa diligência e pediu a nulidade do documento.



Entidades como a Associação Nacional dos Delegados da Polícia Federal e setores da OAB já pediram que Paulo Gonet se declare suspeito. Uma ala da própria PGR avalia que as menções no relatório geram dúvidas suficientes para o afastamento do procurador-geral do processo, mesmo sem prova direta de crime atribuída a ele até o momento.
O editorial de hoje reforça a tese de que a suspeição não depende de prova cabal de favorecimento: A promiscuidade e o fato de o PGR participar do destino de um relatório que o cita já bastariam para o impedimento. A sessão do STF que deverá decidir sobre o relatório e sobre eventual investigação contra Alexandre de Moraes colocará essa tese à prova.

Paulo Gonet e Alexandre de Moraes

